PETARDO

Escrevi aquela estória escura sim.

Soltei meu grito crioulo sem medo

pra você saber:

Faço questão de ser negra nessa cidade descolorida,

doa a quem doer.

Faço questão de empinar meu cabelo cheio de poder.

Encresparei sempre,

em meio a esta noite embriagada de trejeitos brancos e fúteis.

Escrevi aquele conto negro bem sóbria,

para você perceber de uma vez por todas

que entre a minha pele e o papel que embrulha os seus cadernos,

não há comparação parda cabível,

há um oceano,

o mesmo mar cemitério que abriga os meus

antepassados assassinados,

por essa mesma escravidão que ainda nos oprime.

Escrevi

Escrevo

Escreverei

Com letras garrafais vermelho-vivo,

pra você lembrar que jorrou muito sangue.

(Poema extraído da obra O NEGRO EM VERSOS)

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