O Sol brilha ao 2 de Julho

     Hoje é um dia de grande alegria, 2 de julho, independência baiana. Alegria e tristeza são sentimentos que andam juntos quando comemoramos essa data. Isso por que percebo que parte desse momento histórico está se perdendo com o tempo, e ganhando um caráter folclórico, onde para a maioria da nova geração essa data é apenas representada pelo Cabloco e pela Cabloca, elementos que representam o povo baiano, que participou ativamente do processo de emancipação Bahia.

Infelizmente a nossa história não é contada da melhor forma, não há uma eficácia no ensino principalmente nas instituições públicas, mas, as instituições particulares também não se empenham em trabalhar de forma mais profunda esse tema, e por isso, muitos baianos desconhecem os seus heróis. A Independência Baiana contou não apenas com a força do General Labattut, de Maria Quitéria que em pleno século XIV, se vestiu de homem para participar dos combates, e da freira Joana Angélica.

2 de Julho na Bahia
Mas, uma nova personagem vêm ganhando destaque, Maria Felipa foi uma escrava liberta que vivia em Gameleira na ilha de Itaparica. Ao contrário do que acreditam Felipa mostrou mais uma vez, com suas ações, que os negros escravos nada tinham de passivos. Seus gestos de luta foram clamufados, estrategista nata a escrava alforriada, apesar de não estar na linha de frente dos embates, por inúmeras vezes, saia às noites para sondar os movimentos governistas em Salvador.

O desconhecimento da história dessa mulher, marca a injustiça entre as heroínas que participaram desse movimento. Mulher de fibra, chamava atenção não só por sua beleza, mas também por sua coragem, além disso, sabia ler e era culta. “Se não fosse negra e pobre Felipa teria uma estátua em sua homenagem”, assim desabafou Eny Kleyde, pesquisadora que descobriu a história da heroína em seu livro.

O maior feito de Felipa aconteceu na Barca Constituição. Ela liderou um grupo de mulheres que seduziu e atraíram cerca de 60 navegadores portugueses para um local inóspito, os embebedaram, e depois induziram os marinheiros para que tirassem a casaca, o incrível, elas surpreenderam eles com uma surra de cassação, bêbados não puderam de defender. Tal feito impediu que essa embarcação participasse de mais uma invasão à Salvador.

À época muitos acreditavam que as mulheres não participavam dos movimentos, ao contrário, muitas, vendiam nas ruas (as ganhadeiras), para com o dinheiro comprar e alimentos para os maridos, percebemos então que, a participação feminina nesse movimento foi intensa. De forma indireta ou na linha de frente, as mulheres, hoje representada pela Cabloca, também deram sua contribuição para a independência baiana.

 

Hino da Independência da Bahia

 

Nasce o sol a 2 de julho

Brilha mais que no primeiro

É sinal que neste dia

Até o sol é brasileiro

Nunca mais o despotismo

Regerá nossas ações

Com tiranos não combinam

Brasileiros corações

Salve, oh! Rei da Campinas

De Cabrito e Pirajá

Nossa pátria hoje livre

Dos tiranos não será

Nunca mais o despotismo

Regerá nossas ações

Com tiranos não combinam

Brasileiros corações

Cresce, oh!

Filho de minha alma

Para a pátria defender

O Brasil já tem jurado

Independência ou morrer

Zumbi dos Palmares

Quem pensa que negro é ou foi cativo, engana-se redondamente. Francisco ou como será eternamente conhecido e reverenciado, Zumbi, o Rei de Palmares, é um grande exemplo disso. Esse homem apesar de ter nascido livre, foi capturado quando tinha cerca de sete anos, entregue a um padre católico, recebeu o batismo passou a ser chamado de Francisco. Porém, aos 15, voltou a viver num quilombo, começando assim sua lendária história de vida.

Filho de Alagoas, ele nasceu no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial, chegando a ser líder aos 25 anos e idade do Quilombo dos Palmares, uma comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas de engenhos de açúcar.

 O Quilombo

A Serra da Barriga que atualmente faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas) foi à região que abrigou o quilombo, e chegou a possuir uma população de aproximadamente trinta mil habitantes e foi o mais organizado e resistente do Brasil. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver. Palmares surgiu a partir da reunião de negros fugidos da escravidão, em torno do ano de 1600. Ali, devido às condições de difícil acesso, puderam organizar-se em uma comunidade que, estima-se, chegou a reunir mais de 30 mil pessoas, entre negros índios e até brancos pobres.

A República de Palmares resistiu bravamente até que um dos mais violentos ataques holandês vitimou 100 pessoas e aprisionou 31, de um total de 6 mil que viviam no quilombo.

Foram inúmeras as tentativas frustradas de destruir o quilombo ao longo dos quase 100 anos de resistência dos palmarinos. Mas o improvável aconteceu, num grande ataque organizado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, Macacos, a capital de palmares é tomada e totalmente destruída. Mesmo ferido Zumbi consegue fugir, e vive cerca de um ano na floresta onde saqueava algumas fazendas na tentativa de sobreviver.
Tempos depois ele é localizado pelas tropas portuguesas, depois de ser traído por um antigo companheiro, Antonio Soares, Zumbi é localizado e perseguido, mesmo baleado foge e acaba caindo em um desfiladeiro que deu origem à história de que teria se suicidado para evitar a prisão. Na tentativa de acabar com a lenda da imortalidade do líder, após ser preso é esquartejado, sua cabeça é levada a Olinda para ser exposta publicamente.

O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o Brasil como o Dia da Consciência Negra. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, Zumbi é considerado um dos grandes líderes da história brasileira, ele lutou pela liberdade, liberdade de culto, religião e prática da cultura africana no Brasil.

São Iniciados os Jogos Olímpicos na China

       As olimpíadas deste ano serão realizadas na China, a abertura dos jogos promete ser grandiosa, com muitas luzes e cores e um show belíssimo com bailarinos treinadissímo. O espetáculo foi produzido pelo conhecido diretor de cinema Zhang Yimou, que produziu os efeitos visuais do filme, O Clã da Adagas Voadoras, e promete não decepcionar.

      O que está dando panos para mangas é a intensa repressão do governo chinês, que foi intensificada desde os preparativos para a festa.  Segundo informações essa intensa repressão tem o objetivo de mostrar, a Nova Pequim, uma capital harmoniosa, onde as competições irão acontecer de forma organizada.   O regime pode controlar o acesso à Internet, monitorar a divulgação de informação. Muitos protestos vêm acontecendo em todo o mundo, ativistas querem denunciar a violação aos direitos humanos pelo governo chinês

     O comitê olímpico brasileiro está composto por cerca de 277 atletas, sendo 145 homens e 132 mulheres,  dentre eles se destacam Tiago pereira, Caio Márcio e Eduardo Deboni nadadores que se destacaram nas ultimas competições nacionais. Wellison Silva garantiu sua classificação após o Campeonato Pan-americano no Peru com o levantamento de peso, além da seleção de vôlei, de ginástica e outros grandes atletas.

Veja o que há de curioso sobre as olimpíadas

-Em cerca de 2500 antes de Cristo, os gregos já realizavam festivais esportivos em honra a Zeus. Os nomes dos vencedores das competições, porém, só começam a ser registrados a partir de 776 a.C., considerado o ano oficial do início dos jogos olímpicos gregos. Apenas os cidadãos livres participavam.

-Nas primeiras Olimpíadas da era moderna, em 1896, em Atenas, participaram 285 atletas. Em Atlanta, os atletas são cerca de 10.700, dentre os quais 3.780 mulheres.

-A tenista inglesa Charlotte Cooper foi a primeira mulher a receber uma medalha olímpica, nas Olimpíadas de Paris, em 1900.

-A bandeira olímpica com os cinco anéis entrelaçados foi hasteada pela primeira vez em 1920, nos jogos olímpicos de Antuérpia, Bélgica. As cores eram as que compunham as bandeiras de todas as nações olímpicas da época.

Com 1.895 medalhas olímpicas (778 de ouro, 599 de prata e 518 de bronze), os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar na lista dos ganhadores de medalhas. Em seguida vem a ex-União Soviética, com 1.000 medalhas (395 de ouro, 319 de prata e 286 de bronze), consideradas apenas as medalhas ganhas de 1952 a 1988.

-Para chegar de Atenas (Grécia) a Atlanta (Estados Unidos), a tocha olímpica percorreu cerca de 24 mil quilômetros, o mais longo da história dos jogos olímpicos. Segundo informou o Comitê Olímpico, 10 mil participantes foram escolhidos para levar a tocha em alguma parte do trajeto.

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A história ganha uma nova roupagem

Hoje esta em vigor a lei n°10.639, que obriga todas as escolas públicas e particulares a inserir a História da Cultura Africana no currículo escolar. Conversamos com a educadora Cleane Chagas de Jesus, professora de língua portuguesa e língua inglesa e que está se especializando em Metodologia e Didática da História e da Cultura afro-brasileira. Ela confessa ter sentido um grande alívio, pois durante muito tempo fomos obrigados a acreditar que o Brasil era uma nação racialmente democrática

    Negro ser - Qual sua posição na obrigatoriedade da inserção da disciplina HCA na grade escolar?
    Cleane- A obrigatoriedade do ensino da História da Cultura Afro-brasileiro nos currículos das escolas públicas e particulares, conforme a lei n 10.639/2003 gerou muita polêmica, mas confesso ter sentido um grande alívio,pois durante muito tempo fomos obrigados a aceitar o mito da democracia racial. Todos nós sabemos que essa igualdade entre negros e brancos no Brasil não existe. A partir do momento que vivemos em um país formado por uma miscigenação, não temos o direito de negativar a cultura africana.

    Negro ser – Qual a importância do ensino da cultura afro-brasileira nas escolas?
    Cleane – “A história narrada nas escolas é branca a inteligência e a beleza mostrada pela mídia também o são”, afirma Hélio Santo.
Os estudiosos descobriram o que a população brasileira sempre soube, ou seja, no Brasil, negros e brancos nunca estiveram em igualdades de condições. O autoritarismo dos não-negros foi de tal forma que calou gerações e gerações, através da exclusão, e se a lei não fosse aprovada, essa medida reparatória não iria acontecer. O Brasil é a segunda nação com a maior parte da população negra e ao mesmo tempo é contraditório quando os estudantes desse mesmo país não sabem falar sobre a sua cultura. Logo, não há nada mais democrático do que ensinar ao negro sua própria cultura. Espero que esse seja o primeiro passo para começarmos a desconstruir os estereótipos e preconceitos construídos ao longo do tempo.

    Negro ser - Qual é o papel do educador?
    Cleane – O professor tem o papel de perguntar, desafiar, elaborar situações as quais estimulem as habilidades e competências do aluno, levando-o a interagir com o seu meio sócio-cultural. O profissional da educação tem como objetivo viabilizar o conhecimento, pois o mesmo não é detentor do saber.

    Negro ser – Fale um pouco sobre a reação dos alunos após entrarem em contato com tanta coisa nova.
    Cleane – No início houve o estranhamento, pois foram 500 anos ouvindo palavras negativas sobre a população negra e não será em apenas quatro anos que iremos desmistificar todos esses estereótipos, mas é satisfatório perceber como a auto-estima do negro vem melhorando a cada dia. Nós não podemos cobrar essa mudança de imediato porque vivemos em um país bastante preconceituoso, e o mesmo está tentando tomar medidas emergenciais e reparadoras para tentar amenizar um terço do tempo de maus tratos, angústias e exclusão que a população negra sofreu. Contudo, nós, profissionais da área da educação, somos formadores de opiniões, por isso podemos afirmar quer essa história ainda pode ter uma nova roupagem.

Fazer Acontecer

Veja o trecho abaixo, Shakespeare
fala um pouco como viver de forma mais tranqüila,
sem nos preocuparmos tanto com os
reconhecimentos … Aprendendo com Shakespeare.
                                                                    
                                                               
                                                                      …
“Um dia você aprende que…
… não importa em quantos pedaços seu coração foi quebrado, o mundo nunca pára para que você o concerte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você realmente aprende que pode suportar, que realmente é forte e que pode muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida. Nossas vidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de

Mito da Democracia Racial

Introdução        

     Analisar sob uma visão crítica as relações raciais no Brasil foi e tem sido difícil, isto porque o país apresenta uma auto-imagem de uma nação racialmente democrática. Ao analisar indivíduos negros e brancos em várias dimensões, torna-se perceptível que sempre estiveram em posições desiguais, em relação à oportunidade. E para tentar explicar e/ou justificar esta afirmativa é invocado a herança da escravidão como argumento. Porém ao fazer uma análise comparativa à posição atual do negro a outras minorias que no momento da pós-abolição também foram socialmente marginalizados, como os imigrantes europeus que para aqui vieram, é visível tal diferença. Hoje boa parte da elite econômica, política e intelectual do país são oriundas desse grupo de imigrantes pobres, no entanto a situação da maioria da população negra manteve-se inalterada. Assim como explicar as precárias condições do negro atualmente?  Outra face do racismo está presente nas escolas, Pois a forma que hoje é abordado um indivíduo negros em alguns livros didáticos atinge negativamente a criança negra, quando reforçam uma imagem estereotipada e inferiorizante do negro, gerando conseqüência em sua auto-estima. Tal fenômeno ocorre para reduzir as possibilidades em afastar o estudante negro das oportunidades de uma educação bem sucedida.  Com o intuito de tentar solucionar este problema foi criada e aprovada a lei n° 10.639, que estabelece a obrigatoriedade de toda instituição de ensino promover estudos sobre a história e cultura africana e afro-brasileira, influenciando positivamente na auto-estima dos jovens e crianças negras, e desmistificando a imagem do negro entre as demais crianças. No Brasil os movimentos sociais trabalham em busca de soluções para a desigualdade étnica. Um passo de grande importância já foi dado nesta longa discussão, que foi a instauração de debates sobre o assunto, isso representa o reconhecimento do Brasil como uma nação racialmente desigual, evidenciando a necessidade de combater o tratamento diferenciado ainda existente nessa sociedade, em vários âmbitos camuflados pela idéia de uma “democracia racial”.

1. O Negro na Sociedade Brasileira 

A saída de homens e mulheres negros do continente africano e sua chegada às costas americanas nos fins do séc. XV e início do XVI, foram com intuito de servir como mão-de-obra escrava, naquele momento em que o Brasil passava por um processo de povoamento e exploração por sua metrópole, Portugal. Neste período tais indivíduos eram visto como animais e seres inferiores, porem ao contrário do que acreditam, estes não se mantiveram passivos a tal condição.  Graças a pesquisas recentes, umas concluídas e outras em andamento, foram descobertas no Brasil, em algumas regiões do país, sítios arqueológicos resultantes de fugas, organizadas em grupos, os Quilombos. Isso indica que alguns africanos romperam os grilhões que os acorrentavam e fugiram para lugares de difícil acesso, onde se organizaram em comunidades e estabeleceram estruturas sócio-políticas que, segundo especialistas eram inspiradas nas formas tradicionais africanas de organização. Esta descoberta torna-se exemplos da resistência em busca da liberdade e fuga de uma condição desumana a qual viviam.  Sendo assim a confirmação do mesmo sentimento humano entre grupos que se reuniram e se influenciaram para tomar uma decisão de fuga. Esse sentimento comum de resistência em beneficio da liberdade se confirma em todo o território do continente americano. (Organização Kabengele Munsngs, 2004). Não só as fugas foram formas de lutas antiescravistas, mas vários movimentos de lutas marcaram todo o período em que a escravidão manteve-se em vigor. Em detrimento a isso, várias medidas paliativas foram tomadas para tentar amenizar o problema. Em setembro de 1871, a Lei do Ventre Livre entrou em vigor e estabelecia que crianças nascidas de mulheres escravas, a partir desta data eram livres e deveria ser educadas. Tal medida seria um meio de inclusão para os indivíduos negros, pois a partir do momento que estes adquirem conhecimento poderiam participar econômicas e politicamente, integrando-se ao meio social.  Quando analisado em detalhe tal lei, é possível perceber que dois eixos se cruzam, “a exclusão e abandono”.  Pois ficava aos senhores de escravos a criar e educar as crianças nascidas de mães escravizadas que a ele pertenciam. Algumas instituições de ensino foram criadas com financiamento do Ministério da Agricultura na época, como medida do governo para auxiliar os senhores de escravos nesta medida.  O registro de matrículas de crianças beneficiadas com a lei, entre 1871 e 1885 apresentados pelo relatório do Ministério da Agricultura em 1885, revela que na capital das 19 províncias, o contingente de matriculados chegava a 403.827 crianças, destas apenas 113 foram entregues ao Estado mediante indenização no mesmo período (Quadro de Matricula dos Filhos Livres de Mulher Escrava. Fonseca, 2000, p. 77).  Apesar de o estado apresentar uma iniciativa positiva no âmbito educacional para as crianças livres, como dito anteriormente apenas um pequeno n° destas crianças freqüentaram os estabelecimentos educacionais, isso pode ser explicados com a própria lei do Ventre Livre, onde no item 1 do seu parágrafo 1°, facultava-se ao senhores o direitos de explorar o trabalho das crianças libertas até a idade de 21 anos. Ficando claro que foi isso que eles fizeram. Esta atitude pode ser caracterizada como um paradoxo naquela sociedade escravocrata, logo nada mudou nas vidas daquelas crianças “libertas”, pois acabaram por ser jogados novamente na escravidão. As mulheres aprendiam nos orfanatos a trabalhar como empregadas domésticas ou como costureiras, mais tarde famílias abastadas “adotavam” as adolescentes e as empregava em suas casas como domésticas. Este fato acabou estigmatizando o lugar da mulher negra no mercado de trabalho. No período de pós abolição os homens, ex-escravos apresentavam dificuldades em conseguirem empregos, isso porque possuíam pouca ou nenhuma escolaridade impedindo-lhes assim de concorrer com os imigrantes aqui estabelecidos, fazendo da mulher negra um elemento de suma importância no núcleo familiar, pois pelo fato de saber lidar com os afazeres domésticos ela possuía uma maior facilidade de conseguir emprego. Em detrimento a dificuldade de sobrevivência, vários ex-escravos (os de idade avançada) não tiveram escolhas permanecendo trabalhando para seus senhores em troca de abrigo e comida. Vários movimentos negros apareceram antes do episódio da abolição permanecendo mesmo após este processo ser estabelecido, tais movimentos articulavam ações em prol da queda do regime escravocrata, ligados a eles vários jornais voltado aos negros foram criados com o intuito de levar informação mesmo que com grande dificuldade aos cidadãos negros brasileiros. Incentivava a estes a interessar-se pela educação. Imprensa negra como os jornais, A Voz da Raça, O Clarim d`Alvorada, dentre outros, tratavam a educação e a cultura quase como sinônimas na maioria dos artigos publicados pelos jornais militantes da época. Tal movimento trabalhava nom esforços contínuos no convencimento daqueles que acreditavam que “o estudo não era para negro, para pobre”, e sim restando para estes o trabalho pesado. Por isso muitos oradores se destacavam com seu trabalho, estes se manifestavam em frente aos grandes jornais em ocasiões de reivindicações diante aos túmulos dos abolicionistas em datas importantes e nas festas.   “…os bailes eram interrompidos para que um orador trouxesse mensagem forte, fosse a respeito de uma data comemorativa como o 7 de setembro, quando se aproveitada para se exortar os negros a educar-se, a lutar por seus direitos; fosse para mostrar o valor do negro na construção da sociedade brasileira”.(Cunha, 1991)  O escravo foi riscado como força dinâmica do projeto de mudança social, e a abolição realizou-se d  e acordo com os interesses e a estratégia das classes dominantes. A rebeldia negra na face conclusiva da abolição ficou subordinada àquelas forças abolicionistas, modernas conciliadoras e politicamente tímidas. Nenhuma reforma foi executada na estrutura brasileira, visando os interesses do escravo: era o início da marginalização do negro após a abolição que continua até os dias atuais. (Org. Kabengele Munanga, A história do negro no Brasil, 2004). 

1.1.Movimento Negro no Brasil e a Luta na Integração Social     

 O abandono a que foi dispensado a população negra motivou os movimentos negros, do início do século, a chamar para si a tarefa de educar e escolarizar as crianças, os jovens e de modo geral os adultos.Vários fatores contribuíram para que ocorressem mudanças neste movimento, no início do séc. XX haviam vários movimentos deste mesmo caráter espalhados pelo país, ações favoreceram  a integração e nacionalização dos mesmos perdendo assim a característica regional que possuíam, passando também não só a educar os negros mas principalmente a lutar por uma igualdade. Entre as dec. De 40 e50, houve na capital federal mobilizações de várias forças com o intuito de interferir na constituinte de 1946, mais tarde cerca de 1978 num ato político, é consolidado a unificação do Mov. Negro Brasileiro, tal ato reuniu cerca se três mil pessoas nas escadarias do teatro municipal em São Paulo.  A Carta de Princípios, Programa de Ação e Estatutos é o primeiro documento base do mov., ela é constituída por projetos aprovados em assembléia geral, neste mesmo momento o Movimento Negro Unificado(MNU), esclarece a finalidade de sua luta que é o combate contra o racismo, onde se faz presente; a luta contra a discriminação racial e o preconceito bem como a mobilização e organização de comunidades negras na luta pela sua emancipação política, econômica, social e cultural e a importância histórica e simbólica das datas da escravidão.  As ações do MNU conseguiram até influenciar na construção da Constituição de 1988, colocando o racismo como crime inafiançável e imprescindível garantindo as terras dos remanescentes dos quilombos. As ações afirmativas apareceram com as discussões no movimento e a interação com outros movimentos, surgindo assim à discussão para implementação de cotas, reparação e legalização de terras de quilombos. À medida que avançamos no tempo, as exigências das novas gerações, aumentam. Não se reivindica apenas acesso ao ensino fundamental, queria-se mais: ensino médio e universitário (Gonçalves, 1997). Segundo Guerreiro Ramos presidente do TEM (Teatro Experimental Negro) os negos desenvolveram um profundo sentimento de inferioridade cujas raízes estão na cultura brasileira. Para libertá-los desse sentimento não basta simplesmente escolarizá-los; seria preciso produzir uma radical revisão dos mapas culturais, que as elites e por conseqüência os currículos escolares, elaboraram sobre o povo brasileiro.   Uma nova perspectiva de luta contra o racismo é então realizada pelo MNU, havendo parceria entre entidades negras e Secretaria da educação, realizando trabalhos e cursos capacitando professores para lidar com o tema da diversidade cultural. Hoje mais do que nunca compreemde-se que as organizações não-governamentais tem tido um papel importante em ações educativas que visam melhorar a auto-estima das crianças e jovens negros, como por exemplo, os afoxés Ilê Ayê, Olodum, em Salvador e no Rio de Janeiro a Escola de Samba a Estação Primeira de Mangueira. 

2. Democracia racial e o Ideal de Embranquecimento 

À medida que a nação brasileira foi sendo construída uma crença em torno desta nação começou a ser criada – O Mito da Democracia Racial – onde por muito tempo acreditou-se que o Brasil, diferentemente de outros países como os EUA e a África do Sul, que se caracterizam por conflitos raciais abertos. Também se acreditava que em nosso país não houvesse obstáculos para a ascensão social do negro e do mulato, este aparecendo com o processo de embranquecimento, significando que o Brasil seria uma nação sem raça. Esta era a imagem que era vendida para o exterior, de um território democrático no quesito racial.Sendo esta afirmativa resultada de um sentimento da nacionalidade brasileira, a ponto de apresentar uma concordância das diferentes camadas sociais. Porém essa crença se chocava com a realidade nacional, onde sempre foi evidente a exclusão do indivíduo negro ( como constatado anteriormente). Começa então a ser negativado e discutido tal mito, com a criação de vários trabalhos acadêmicos entre os estudiosos, dentre tantos se destaca Gilberto Freire, com Casa Grande e Senzala (1933). Segundo Freire o tom desta obra é de otimismo em relação a um ambiente social gestado durante a fase colonial brasileira que favorece e é propicio à ascensão social do mulato, tipo que tendia a caracterizar num futuro próximo o Brasil.Onde o mulato não só é observado e analisado na obra, mas também, na sociedade, e neste ele é tido como conseqüência do embranquecimento desta sociedade. Tal embranquecimento tornou-se possível com a chegada de imigrantes europeus para suprir a necessidade de mão de obra qualificada, pois só existiam aqui, negros libertos, posto que não possuíam qualificação desejada para assumir os cargos que eram oferecidos, tal característica da pouca ou inexistente educação foi graças ao processo de libertação elaborado pelos poderes públicos da época.O ideal de embranquecimento pressupunha uma solução para o problema racial brasileiro através da gradual eliminação do negro que seria assimilado pela população branda, onde a miscigenação era um processo de extinção das características negar nos indivíduos. Sendo incorporado pela população à idéia de desvalorização da estética negra e em contrapartida a valorização da estética branca, apresentando uma tentativa de ‘melhorar’ a raça através dos casamentos inter-raciais.O mito da democracia racial juntamente com o intuito de embranquecimento social, gera nessa sociedade várias conseqüências práticas: desenvolveu-se a crença de que não existe raça no Brasil, isso porque se entende por raça, agrupamento de indivíduos que compartilham características hereditárias sendo restrito a apenas este grupo de indivíduos. Logo é visto aqui no Brasil um intercâmbio entre três raças distintas, fundando então a população brasileira. Isso permeou a cabeça de muitos brasileiros por muito tempo, os fazendo acreditarem que pertenciam a uma nação que podia dar lições sobre democracia racial a outras nações ainda marcada pelo racismo.Outra conseqüência foi que em lugar da raça, admitia-se no país apenas uma classificação baseada na cor, que pretende ser encarada como uma mera descrição objetiva da realidade sem implicações político-econômico-sociais, tais como preconceito e discriminação, a cor passa a designar uma hierarquia classificatória onde aqueles nomeados de branco são considerados melhores e os considerados negros como piores, inferiores.Tendo como ultima conseqüência a represália para quem tentasse falar a respeito, pois quem tentava discutir a respeito era visto com maus olhos. Logo aqueles que falavam de políticas sociais para negros eram acusados de racistas. Amaneira brasileira de encarar o problema racial define como racista “aquele que separa não o que nega a humanidade de outrem”. (Guimarães, 1999: p 44)O movimento negro então, neste momento é acusado de racista, uma vez que diferenciava negros de brancos. Consequentemente como não existiam raças, não cabia falar da população negra. Assim permaneceram negros, índios e outras minorias, as margens da sociedade brasileira, como dito anteriormente, discussões acerca do assunto aconteceram e acontecem hoje promovidos não só pelos movimentos negros, mas em escolas universidade. Hoje a nação brasileira reconhece que não se caracteriza por um estado racialmente democrático. Surgindo então a necessidade de criação de medidas voltada para corrigir a histórica situação de exclusão, sendo essencial à adoção de ações afirmativas.

 2.1. Políticas Públicas e Ações Afirmativas

As chamadas políticas de ação afirmativas são muito recentes na história de ideologia anti-racista no Brasil, elas visam oferecer aos grupos discriminados e excluídos um tratamento diferenciado para compensar as desvantagens a que foram sujeitas sob a posição de vítimas do racismo e de outras formas de discriminação. Apesar das críticas contra ações afirmativas, a experiência das últimas quatro décadas nos países que implementaram não deixaram dúvidas sobre as mudanças alcançadaO momento para o inicio da discussão a respeito do mito de uma democracia racial e implantação de ações afirmativas no Brasil, é marcado quando o então presidente da republica, Fernando Henrique Cardoso, na abertura do seminário Multiculturalismo e Racismo, realizado em 1996, em Brasília, de que o nosso país era racista, incluindo como um dos seus objetivos o desenvolvimento de ações afirmativas, para acesso de jovens negros aos cursos profissionalizantes. A partir deste momento parlamentares decidiram lutar em prol dessa causa, destacando-se Benedita da Silva e o Senador Abdias do Nascimento.A Senadora Benedita da Silva, em 1995, apresentou um projeto de lei n.° 4que dispõe sobre a instituição de cotas mínima para os setores etnorraciais, socialmente discriminados, em instituições de ensino superior. O artigo 1° diz: “Fica instituída a cota mínima de 10% de vagas existentes para etnorraciais socialmente discriminados em instituições de ensino superior pública e particular, federal, estadual e municipal.” (Benedita da Silva, 1997).  A justificativa da Senadora apresentou ao perceber que o Projeto de lei não representava n.°de vagas, compatível ao contingente populacional, foi de que a garantia da cota mínima não resolveria o problema estrutural, mas criaria um precedente para minimizar a injustiça e a exclusão social.  Não só as cotas foram criadas, mas programas que promovem o ingresso de indivíduos, negros pobres ao ensino superior, onde é dispensado um grande n° de vagas para estudantes de escolas publicas isso é observado e muito próximo de todos nós, pois facilmente encontramos. São programas como o Pro uni, Faz Universitário.Porém movimentos contra as coras ocorreram quando estas foram implantadas, principalmente por alunos brancos, que afirmavam que os novos alunos negros estariam ocupando as suas vagas. Porém isso é uma inverdade, pois para que os alunos que entram pelas cotas também tem que atingir uma determinada nota, para poder ingressar nas universidades. Na minha avaliação, acho melhor ter brancos ressentidos, mas negros dentro das universidades, do que ter brancos felizes e negros fora da universidade. “(Matilde Ribeiro)”.   

         3. Conclusão 

Não havia em nosso país discussão a respeito de uma integração entre os componentes desta sociedade, ou seja, o que havia na verdade eram indivíduos ignorados quanto as seus direitos de acesso e oportunidades. Tal minoria era negra e estava restrita aos serviços considerados inferiores. Pois a crença do mito da democracia racial fecundava as mentes dos brasileiros. Fazendo pensar que com isso estávamos construindo uma nação justa.Para a existência de uma sociedade justa e igualitária, teremos que construir uma nação que não exclua, que considere todos os membros sociais como elementos importante. Reconhecendo sua contribuição no processo de crescimento social.Ser contra ou a favor das ações afirmativas como as cotas, limita a discurção, é importante pensar sobre o racismo e todas as conseqüências que surgiram com ele. Nesse sentido torno-me a favor das ações afirmativas, pois é a partir delas que, nós que compomos a grande parte da sociedade brasileira e que por muito tempo permanecemos exclusos e a parte das decisões sociais poderemos passar a deixar de sermos minoria neste meio. É preciso que o Brasil cresça em uma base realmente democrática e isto torna-se viável quando realizadas políticas publicas para a inclusão.